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Estamos na Revista Portos e Navios

Uma matéria de três páginas na renomada revista Portos e Navios apresenta o Atlas HVS para os brasileiro. Leia a matéria na integra publicada por Danilo Oliveira: 

Sócios brasileiros e estrangeiros pretendem oferecer um equipamento flutuante que servirá de rub de carga em alto-mar.
O projeto da IV Partnership é oferecer uma estrutura localizada a mais de 24 milhas da costa brasileira que possa receber navios de grande porte.
Nessa distância, a instalação está fora da legislação brasileira e responde a Convenção de águas internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) assinalada em 1982, em Montego Bay, na Jamaica. Ao todo, a empresa pretende viabilizar 10 projetos, três no Brasil e sete em outros países.

Fernando valente, sócio da IV Partnership, ressalta que a empresa não pretende competir com operadores portuários locais. A ideia é oferecer lotes na estrutura flutuante que sirvam para aumentar a eficiência de terminais dentro e fora do portão organizado e expandir a logística para movimentação e armazenagem de carga. O empresário explica que a IV Partnership atuará como administradora privada de uma espécie de condomínio em que operadores portuários, agentes, donos de cargas e armadores vão operar sobre o casco. 

A estrutura flutuante vai adaptar e integrar soluções já existentes no mundo. Uma delas é utilizada para montar e desmontar plataformas de petróleo e geradores eólicos offshore, mesmo em condições de vento e ondas, para conseguir fazer içamento da carga. 
A Technomar, empresa especializada em plataformas de petróleo e fundamento, com experiência internacional, fez os testes e mais de três mil simulações do projeto. Valente conta que essa equipamento conseguiu se tornar eficiente desde 2013, quando uma empresa holandesa desenvolveu um sistema de compensação para manusear cargas em alto-mar, basicamente transbordo temporário. Isso porque O guindaste em cima de barcaças ou navios nunca terá estabilidade necessária para movimentar contêineres em águas agitadas. "Esse equipamento consegue dar estabilidade para que o guindaste consiga pegar contêiner em alto-mar. Sem esse equipamento, é impossível esse tipo de operação", explica.

Cada projeto terá capacidade de armazenagem entre 70 mil TEUs e 85 mil TEUs, de acordo com a configuração dos clientes, e pesarão 200 mil toneladas.
A configuração prevê quatro berços de atracação que somam quase dois quilômetros, além de 480 m de berços externos. Além do sistema de compensação de ondas, os equipamentos foram planejados com três sistemas auxiliares e quebra-mar flutuante para acionamento quando necessário.

A IV Partnership também está desenvolvendo com empresas parceiras alemães, holandeses e norte-americanas um sistema de automação de guindastes. A solução vai permitir que, quando o spreader chegar próximo ao contêiner, o operador do guindaste possa soltar o joystick e o próprio equipamento encaixar o contêiner. "Graças a esses sistemas auxiliares, conseguimos oferecer solução importante para operação", destaca Valente.
Ao todo são cerca de 40 empresas organizadas no consórcio para viabilizar a operação. Valente, da IV Partnership, diz que a solução começou a ser pensada após um desabamento no Porto de Chibatão (AM), em 2010. "Percebemos que o pólo industrial de Manaus estava vulnerável porque só havia dois TUPs (terminais de uso privado) dando atendimento ao Porto, e o Polo precisava ter alternativas. Começamos a desenvolver uma solução para possibilitar a chegada a Manaus não só de grandes navios, mas também barcaças", conta.

nessa mesma época, grandes armazenadores estrangeiros tomaram a decisão de construir meganavios. Valente diz que o equipamento desenvolvido pretende atender esses grandes navios e os portos que são pressionados pelos armadores para aumentar a capacidade de recepção."Existe descompasso porque as frotas cresceram rapidamente e os portos, principalmente por questões ambientais, não conseguiram acompanhar essas expansão. Há pouquíssimos portos no mundo habilitados a receber grandes navios", observa.

A estratégia é dar operacionalidade aos negócios e reduzir o tempo de custos.
A ideia com o hub flutuante é permitir que os navios de grande porte descarreguem contêineres nessas plataformas e sigam viagem e, assim, evitem problemas com burocracia e de manobras nos portos brasileiros. "No norte, os armadores não seriam prejudicadas porque, em vez de entrar na hidrovia do Amazonas, que é extremamente frágil do ponto de vista ambiental, os navios iriam entregar essa carga em alto-mar no equipamento que desenvolvemos e as barcaças fariam esse trajeto do alto-mar para entrar na hidrovia", explica Valente.

A 24 milhas da costa, a plataforma flutuante ficará na zona exclusiva econômica, com isenções fiscais e tributárias, o que dispensará mais de 15 documentos para a chegada da carga, que tratam desde desratização até informações sobre tripulação. Os sócios ressaltam que, na sequência, a carga chegará normalmente com toda documentação exigida pelos órgãos anuentes nos portos brasileiros. Valente destaca a proteção do bioma costeiro e a diminuição dos riscos de contaminação com água de lastro.
O projeto é apresentado como uma redução da necessidade de dragagem já que os navios de grande porte não precisarão encostar em portos costeiros. Outra possibilidade é o dono da carga armazenar também em alto-mar. Segundo valente, aumentar o grau de disponibilidade aumenta o capital mobilizado das empresas. Ele diz que há empresas com 80% do capital investido no estoque, que torcem para não sofrer problema com obsolescência comercial ou tecnológica dos produtos. Manter o estoque alto mar permitiria mandar lotes conforme a necessidade do mercado. Essa mesma carga poderia atender Brasil, Uruguai e Argentina, por exemplo.

A IV Partnership está em conversas com uma empresa do ramo de petróleo com US$ 5 bilhões em ativos já internados em vários países do mundo.
Com equipamento flutuante, essa empresa pode transferir esse estoque para alto-mar e atender conforme a necessidade dos países. "Em vez de ela ter carga no Brasil e na Argentina, ela vai poder manter único estoque em alto-mar, podendo atender ambos", explica Valente.

O modelo de negócios prevê a venda fracionada de slots para operadores portuários, além de armadores, agentes e consignatários de cargas. Operador portuário vai adquirir slots com capacidade de um contêiner de 20 pés (um TEU). Operador portuário vai instalar seu guindaste e operar na plataforma. Quando usar o slot, pagar uma taxa, mas quando não usar-lo pagar uma taxa menor. A empresa poderá arrendar os slots por período de cinco a 10 anos.

O custo previsto para cada projeto é da ordem de 370 milhões de dólares. Após definir a tecnologia e o conceito comercial e operacional, a IV Partnership analisa as características de cada local para poder viabilizar o negócio.
As próximas etapas serão a venda dos slots e a construção das plataformas. A empresa mantém oito projetos como esse no mundo. Além dos três previstos para o Brasil, há outros cinco projetados sendo desenhados para Angola, Açores, Mediterrâneo, Bacia do Plata e Estados Unidos. A ideia é fechar outros dois projetos para os Estados Unidos até o final de 2016.
Dentre os brasileiros, o projeto mais adiantado é para instalar uma plataforma no norte do país. O escopo prevê atender cargas de navios e até 49 metros de boca - que atravessam o novo canal do Panamá - E fazer rotas para os Estados Unidos Europa.
Com o hub na Barra Norte, será possível distribuir por feeder para Manaus e Pará, bem como por cabotagem para outras regiões do Brasil. 

Outros equipamentos devem ser instalados próxima região sul-sudeste e nordeste. A meta é concluir todas as análises de performance local (APLs) até o primeiro semestre de 2017 para contratar os estaleiros no segundo semestre do mesmo ano. Eles estarão prontos para operação em até três anos, a depender do formato. 
A IV Partnership organizará o arranjo produtivo da estrutura flutuante, que pode abrir oportunidade para estaleiros e a cadeia produtiva no Brasil. "Esperamos que o Brasil atue fortemente na construção desse novo equipamento naval prestes a ir ao mar", diz Valente.

Ele conta que há conversas com diferentes players. Existe possibilidade de a montagem de algumas ser feita no Polo Naval de Manaus. 

Para o presidente do Sindicato da Indústria naval, offshore e Reparos do Amazonas (SindNaval), Matheus Araújo, será uma boa oportunidade para os estaleiros da região se fortalecerem. Uma demanda que pode surgir com o projeto é a construção de embarcações para transporte da carga que vai desembarcar na plataforma para entrega em portos de Belém, Macapá e Manaus."Se vierem se juntar aos estaleiro de Manaus, logo teremos indústria naval extremamente forte", afirma.