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BIOMAS COSTEIROS (Eng. Antonio Lambertini)

O projeto nasce da observação de desastres causados pela exploração dos serviços portuários crescentes e sem o cuidado necessário com o meio ambiente. Os ecossistemas terrestres-marinhos possuem equilíbrio extremamente delicado, com menor capacidade de absorção dos impactos antrópicos do que se comparado com outros ecossistemas. Ainda assim, necessariamente, um porto marítimo deve estar localizado neste ecossistema. Por isto, o impacto ambiental em extensão gerado por um porto é irremediável.

O trânsito de navios acaba gerando passivo ambiental como, e.g., a lavagem de tanques e do porão, troca da água de lastro, trânsito contínuo que inevitavelmente atinge espécies marinhas da fauna. Estes impactos poluentes, muito embora proibidos por lei nacional e por tratados internacionais, dificilmente são punidos, em vista da impossibilidade de melhor acompanhamento e vistoria dos navios de quando entram em águas nacionais até deixá-las.

O porto não subsiste por si, necessita de retro porto, área responsável pela acomodação de armazéns, pátio de contêineres, pátio de caminhões, área de carga e descarga, pátio de trens, moinhos, indústrias de beneficiamento de matéria prima. Por motivos não só econômicos como estratégicos e logísticos, estas áreas encontram-se muito próximas quando não são contiguas ao porto. Nada impede, no entanto, que o retro porto se prolongue quilômetros continente adentro, se comunicando com o porto por meio de estradas e ferrovias.

O porto é um empreendimento que não pode, de forma alguma, ser analisado setorialmente. Isto se dá porque um porto não é constituído apenas por um píer ou por berço de atracação e cais.

De fato, o sistema de transporte também faz parte das instalações portuárias. Constituem os canais de escoamento de mercadoria para o continente. Englobam, bem assim, aeroportos, rodovias e ferrovias e mesmo outros portos marítimos, fluviais ou lacustres. Outras instalações consideradas portuárias são as geradoras de energia, já que não é incomum que o porto tenha sistema de energia dissociado do restante da cidade.

Este complexo de instalações revela que o impacto ambiental não é pontual, mas disseminado por uma área razoavelmente grande.

As áreas portuárias se situam em áreas historicamente degradadas por uma ocupação maciça e desordenada, a qual já causou impactos potencialmente irreversíveis aos ecossistemas marinhos, terrestres e de transição. No caso do Brasil, que concentra mais da metade de sua população em região litorânea ou proximidade, houve sensível degradação nos manguezais com a ocupação desorganizada das cidades; hoje, com as necessidades de expansão dos portos, a tendência é impor passivo ambiental ainda maior sobre este ecossistema.

A ideia de inserção de elementos artificiais na natureza com baixo ônus ambiental e sem prejuízo econômicos e sociais se consubstanciou com o conceito de desenvolvimento sustentável apresentado no relatório Brundtland da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987.

Desta forma, cabe ao ser humano procurar inserir elementos artificiais o menos impactante possível à natureza.

O projeto da Embarcação de Transbordo e Armazenagem de Contêineres e Cargas que será detalhado logo a seguir, tem a característica fundamental de atender o conceito de desenvolvimento sustentável, uma vez que mitiga de maneira eficaz uma grande parte dos passivos ambientais dos portos.